«Portugal tem uma relação estranha com os incêndios florestais. Todos os anos repetimos o mesmo ciclo. Chegam os dias de calor. Multiplicam-se os alertas. Surgem os primeiros fogos. Fazem-se conferências de imprensa. Prometem-se medidas. Criam-se comissões de inquérito. Elaboram-se relatórios. Depois, o inverno chega, o tema desaparece da agenda política e mediática e tudo fica adiado para o verão seguinte. ...
Todos os anos o país volta a arder e nós voltamos a assistir ao mesmo guião: surpresa, promessas e explicações. Como se os incêndios fossem inevitáveis e a falta de preparação uma fatalidade. Não são. O que verdadeiramente preocupa é a normalização desta sucessão de falhas. E quando o país enfrenta dias de risco extremo, espera-se que os seus responsáveis políticos transmitam uma imagem de liderança e de total disponibilidade. Por isso, é legítimo questionar as prioridades quando o Primeiro-Ministro mantém a agenda para assistir a eventos desportivos enquanto várias regiões do país enfrentam incêndios de grande dimensão.» António Lúcio, aqui.