ALVITRANDO

Luís Neves falou muito, esclareceu pouco e enterrou-se mais

O ministro da Administração Interna defendeu a sua permanência no Governo e a sua honra durante uma conferência de imprensa, rejeitando qualquer intenção de demissão.

Ao longo de uma hora durante a qual debitou um discurso de 12 páginas que levava escrito, Luís Neves apresentou poucos factos novos. Este Luís que agora está sob escrutínio reconheceu nunca ter sido “um homem de procedimentos e papéis”, se existiu alguma falha documental, ela não decorre da sua intervenção direta, mas do funcionamento da máquina administrativa. A mensagem subjacente de Luís Neves foi simples de perceber: procurou usar a a sua carreira como arma de arremesso a seu favor, em sua defesa. Porque alguém que “dedica a vida ao combate ao crime, que modernizou a Polícia Judiciária e que enfrentou organizações criminosas” dificilmente poderia agora ser confundido com quem delas beneficia. Daqui.

Mas o que Luís Neves finge não perceber é que os meios não justificam os fins. E tudo o que tenha feito de bom, “do lado do bem” onde disse estar, não justifica eventuais ilegalidades, irregularidades ou outros erros e falhas e muito menos, com o argumento de não conhecer a lei ou desculpar-se com subordinados. Um ministro, quando ainda por cima levou toda a sua vida a investigar e a acusar outros do que agora é acusado, não pode ter este entendimento e, muito menos, esta prática.

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