Patrícia Calca, politóloga, docente universitária e investigadora do CEI-Iscte, diz que “Não me parece que o peso destas manifestações ainda seja o suficiente para pôr, por si só, o Governo em causa. Mas isto é mais uma acha para a fogueira”, e aponta para a conjugação de vários fatores: a crise na habitação, as dificuldades sentidas pelas famílias no acesso a bens e serviços essenciais, o custo dos combustíveis, os preços nos supermercados e a multiplicação de greves. Isoladamente, cada um destes problemas pode ter uma dimensão própria, mas a sua acumulação poderá contribuir para uma perceção negativa sobre a capacidade do Governo para responder às preocupações quotidianas dos cidadãos. A habitação continua a ser o problema de fundo, mas a própria contestação passou a constituir um fenómeno com consequências políticas, sociais e até económicas.
Crise dos protestos está a tornar-se “bola de neve” que pode ditar o fim do Governo, diz Patrícia Calca
“Se as pessoas continuam a ver graves dificuldades na habitação e no custo da gasolina e no supermercado, etc., isso depois pode gerar um problema de perceção da realidade”