Alqueva transformou a agricultura do Baixo Alentejo, atraiu investimento e abriu novas oportunidades de negócio. Mas o desenvolvimento económico não foi suficiente para travar a perda de habitantes nem para garantir que a riqueza criada chega de forma equilibrada às populações. A expansão das culturas intensivas, a valorização dos terrenos e o crescimento das exportações contrastam com problemas que persistem na região, como o envelhecimento da população, as dificuldades de acesso à habitação e a desigualdade económica. Alqueva cumpriu objetivos importantes, nomeadamente no abastecimento de água, no aumento da produção agrícola, nas exportações e na dinamização do turismo e das energias renováveis, mas estes resultados não foram acompanhados por melhorias sociais da mesma dimensão, tendo-se verificado uma crescente concentração da propriedade agrícola em grandes explorações e uma distribuição desigual dos benefícios económicos, e pressões exercidas pelas culturas intensivas sobre os solos, a água e a biodiversidade.
Estudo sobre Alqueva concluiu que crescimento da economia, por si só, não garante o desenvolvimento das comunidades
O estudo, publicado na revista científica Sustainability, é assinado por Carlos Gonçalves, da Universidade de Évora, e Jorge Gonçalves, do Instituto Superior Técnico.